02/02/2018

Oi Filha



Oi meu amor.
Eu estou te vendo, te observando, te escutando, te cuidando mesmo que as vezes minha manifestação mais viva e intensa esteja meio desnorteada.
Tanta coisa aconteceu desde que vocês chegaram que eu nem me lembro como eu era da última vez que estive sem tê-los. Tantas mudanças, tantos devaneios e retomadas de consciência fizeram e fazem parte dessa montanha russa chamada maternidade.
As vezes pareço imersa nos estudos e nas minhas pesquisas sobre o comportamento do seu irmão e de como amenizar "as diferenças", pareço completamente imersa na vida dele, e de verdade estou, mas meu mergulho na sua vida é real e intenso também, talvez no seu mar eu suba mais a superfície, talvez o meu mergulho em ti seja mais fácil ou menos profundo, mas nunca menos amoroso.




Teu irmão te ama tanto, vocês se amam tanto, as vezes fico olhando vocês dois juntos e choro de amor, imagino que não seja fácil pra ti entender que as vezes precisamos sair antes do previsto de um evento porque seu irmão já não tolera mais ficar ali, mesmo assim tu diz SIM e vocês saem juntos, de mãos dadas, porque ele nem imagina te deixar. Eu e seu pai estamos aprendendo a mergulhar no oceano do Enzo, tu já é um peixinho, ele te abraça, faz onda-amor pra te ver nadar junto dele. Obrigada minha filha por tanto amor. 
Eu? Ora estou aqui na superfície, ora estou no fundo do mar das nossas vidas aprendendo sobre nossa existência e tentando trazer a tona tudo de bom que esse mundo nos dá, da mesma forma que tento enfrentar as coisas ruins que surgem porque fazem parte da nossa condição humana.
Nossa vida é tão bonita, somos tão felizes, nos amamos tanto.
Sei bem que as vezes travo uma luta interna e fico meio longe, me deixo levar pela turbulência do mar. Eu sei que cada braçada dada vale a pena, que enfrentar a onda é muito melhor do que deixar que ela me leve, no entanto as vezes preciso ir, sem braçada alguma, só ir... pra depois voltar.  Eu que me acho emocionalmente independente do que os outros pensam e julgam a meu respeito, as vezes, me percebo dando crédito a julgamentos tolos que só fazem doer no peito,  fico desatenta de ti porque me perco nesse devaneio de mudar o mundo conforme o que acredito. Se eu não aprendi, quero muito que tu aprenda: aos outros só podemos levar amor e as mudanças que achamos necessárias se darão a partir desse amor que reverbera e contagia.
Eu, mãe, sempre encho a boca para falar a palavra liberdade, mas exijo sempre que sejam super educados. Sabe de uma coisa: nem sempre dá pra ser, as vezes, só as vezes (risos) a falta de educação nos salva de alguns caldos, de algumas ondas que nos derrubam porque preferimos ser educados como "a mãe e o pai nos ensinaram", ou ainda "como a mãe e pai esperam que a gente seja", na verdade a liberdade mais linda é aquela quando olhamos para nossos filhos e os vemos como outros e não como uma cópia de nóse a pesar das diferenças e por causa delas amá-los mais que tudo. 
Vou tentar não planejar tudo, viver sem tantas preocupações, sem tantos métodos, vou tentar apenas estar ali de corpo e alma e desfrutar a vida junto contigo de forma mais intensa, porque tu recarrega minha energia e me potencializa como mãe, eu escuto muito a voz da minha infância em ti, dou importância ao que a menina que mora dentro de mim me diz, e ela salta de felicidade, faz meu peito vibrar, me movimenta pra estar mais presente e mais brincante contigo. Mas é preciso que saiba, há uma essência em mim que não pode ser iludida ou mascarada, sou essencialmente estudiosa, intensa, mergulho de cabeça no que acho que preciso mergulhar, mas eu volto filha, sem mentiras, sem desculpas, porque se não for desse jeito estarei enganando a mim mesma e estarei mentindo pra vocês e não conheço ninguém que tenha conseguido criar filhos felizes vivendo uma mentira. 
Então, eu prometo estar mais no presente, vivendo cada minuto com entrega, mas as vezes preciso ir lá no fundo, trancar o ar, me esvaziar pra poder voltar a superfície com força, coragem e o mesmo amor de sempre.
Te prometo perder menos tempo com essa mania pretensiosa de mudar aquilo que, por ora, não pode ser mudado, faço isso por acreditar ser essa a via de construção de um mundo melhor pra ti, pro teu irmão, pra todos. Talvez eu faça isso por medo de estar longe no "futuro", fico achando que posso deixar o terreno pronto, sem torrões de dor que são difíceis de arrancar, fico nessa tentativa tola de deixar o mar calmo, de segurar os maremotos que poderão surgir mais tarde. Eu prometo gastar esse tempo e essa energia mais no presente do que num futuro imaginado, porque é o aqui e o agora que poderá garantir pra vocês um ali e lá mais feliz. Não posso te prometer um mar tranquilo, mas prometo me jogar menos na água turbulenta, vou enfrentar só as ondas que nos impulsionarem para uma maré bonita.




Filha estou aqui, sempre estive, mesmo que eu pareça distante (e algumas vezes estou) quero que saiba que um pedaço meu sempre fica perto de ti. Eu nasci pra estar contigo, nos encontramos pra isso. Teu irmão, talvez precise mais de mim (esse talvez é carregado de dúvidas, eu mãe acho que seja assim, mas pode ser que não, pode ser que tu precise muito mais de mim, mas entenda, as mães erram descaradamente achando que estão certas, a gente tem essa coisa do "sentir"), então repito o que não tenho certeza, mas por ora sinto: TALVEZ teu irmão precise mais de mim, por isso olho tanto pra ele, mas meu olhar é teu também, sempre foi. Tu não é um capítulo, tu é o livro todo, tu não é uma onda, tu é também um oceano e eu mergulho em ti com todo o amor que carrego no meu peito desde o dia que tu correu para os meus braços gritando: "chegou minha mãe!". Te amo.


Sua Mãe



01/05/2017

Cozinha Lugar Sagrado





Oi gente. Passei a tarde e boa parte da noite desse sábado na cozinha, e o melhor de tudo: com muito prazer! Cozinha é lugar sagrado aqui em casa, todo mundo mora nela longas horas. Eu amo cozinhar, cresci no meio de receitas e fazeres da minha mãe (a melhor cozinheira do mundo). Acho que só a arte vem antes do cozinhar entre as coisas que amo fazer como ofício-amor. Fiz de tudo: almoço, lanche, bolo, conservas, fiz granola, barrinha de cereais com a granola, fiz leite de coco, farinha de coco, organizei os grãos, os cereais, fiz café, fiz pães, fiz janta, ouvia a bagunça que foi o sábado por aqui, as crianças envolvidas com o primo-amigo-amor e com o pai, teve show de rock, acampamento, bronca, amor, risada, desenho, cantoria, dança, bronca e amor de novo. Eles entravam e saiam da cozinha, brincavam por lá, iam pra fora, corriam e chamavam: manheeee, fui umas duas vezes. Corri com eles e com a cachorrada-amor. O sábado passou, sem perfeição e facilidades, tudo é luta diária, tudo são conquistas, sem grandes eventos, um frio bem frio mas com um sol bem lindo, alguns conflitos, mas a paz e o amor prevaleceram. Eles (pai, filha e primo) limparam tudo.

Pelo instagram, muitas pessoas me pediram as receitas, vou colocar todas elas aqui, mas um pouco por vez, tá bom?!


As escolhidas de hoje são feitas com coco (fruta que não deixo faltar aqui em casa): leite de coco, coco ralado e farinha de coco, tudo em um só processo, essa receita muda a vida da gente, acreditem! Saudável, sem açúcar ou conservantes, e muito mais em conta do que se pagaria num mercado.

Eu AMO coco, além de ser um alimento super saudável, o coco é muito rico em duas gorduras: o ácido láurico e o monolauril. Essas gorduras são de rápida digestão, ao contrário de outras, não ficam depositadas nas células, e servem de combustível para o nosso organismo gerando energia. 

Leite de coco: quebrar um coco seco com uma martelo ou jogando-o no chão enrolado num pano, tirar toda a polpa (a parte mais difícil), deixar os pedaços de molho em água morna por cinco minutos (700 ml de água se o coco for de tamanho grande e 500 ml se o coco for de tamanho médio para pequeno), depois liquidificar por uns 3 minutos. Coar todo o líquido, eu prefiro fazer isso num saco de algodão cru, mas pode ser feito em um coador. Depois de bem escorrido, pode-se armazenar na geladeira por quatro dias, dá pra consumir como um leite delicioso e sem lactose ou em receitas que você queira. Pode ser congelado se desejar, por aqui nunca da tempo de fazer isso.







A polpa que sobra pode ser usada em inúmeras receitas, assim como o coco ralado que se compra no mercado, só que com a vantagem de ser fresco, natural, sem adição de nenhum outro ingrediente químico ou manipulado, é alimento vivo!
Já fiz biscoitos, recheios de bolo, docinhos, farofa, bolo, vitaminas e...






... farinha de coco pra usar em tudo: bolos, pães, doces, biscoitos, panquecas, comer com frutas, com iogurte e tudo o que você puder imaginar. Super simples gente, é só colocar essa polpa numa frigideira ou panela grande e mexer por uns vinte minutos, deixar esfriar e armazenar, ela dura uns três meses fora da geladeira. Eu gosto de usá-la mais grossa, mas depois do processos de cozinhá-la pode-se triturá-la no processador ou no liquidificador, deixando-a na textura que quiser. A minha ficou assim, nessa foto coloquei-a dentro da casca do coco e servi na mesa com iogurte, achei que ficou linda.
E tem mais, as cascas depois podem virar brinquedos e instrumentos musicais!!

Ó só que maravilha tudo isso, com uma coco que em média custa quatro a cinco reais a gente faz tudo isso, a farinha de coco no mercado é bem cara e não podemos jurar sem cruzar os dedos se ela realmente é pura, já a que fazemos em casa temos certeza de sua pureza e mais que isso, ela carrega a etiqueta de: EU, VOCÊ, NÓS FIZEMOS. 






Eu uso verduras, frutas, legumes, grãos e outros produtos orgânicos, mas isso não é regra e nem obrigação de ninguém, escrevo por que acho importante a gente refletir sobre uma fala que tem se tornado habitual entre algumas pessoas influentes nas: "só orgânico pessoal". Vi na semana passada um vídeo em que aparecia uma menina comendo um chocolate, a mãe filmava e comentava: "por favor gente, o chocolate é orgânico, se for para dar chocolate para as crianças, só orgânico, por favor gente". Eu repito parte da fala: POR FAVOR GENTE, sabe quanto custa uma barra de 120 g de chocolate orgânico, aqui não sai por menos de 19 reais, um chocolate amargo e com uma boa porcentagem de cacau custa bem menos que isso e talvez seja ainda mais saudável. Consumir orgânicos é super bacana, mas dá para priorizar de maneira SÁBIA o que realmente vale a pena ser consumido na rede dos orgânicos, nãos podemos nos deixar levar por um movimento que elitiza a alimentação, os orgânicos são sem dúvida uma ótima opção, mas nem tudo precisa ser orgânico, ou ainda: nem tudo PODE ser orgânico para a maioria da população devido ao seu valor. Por aqui fazemos a lei da compensação, compramos orgânicos, por outro lado não gastamos em um monte de outras coisas que achamos supérfluo, mas é uma escolha nossa e não cabe a nós queremos que todos pensem como a gente! No mais: a vida segue e tem muitos caminhos para se encontrar uma alimentação saudável, afetiva e feliz. 


Sinto saudade de blogar mais, escrever aqui me fortalece, me inspira, vou tentar estar mais presente.

Abraço meu.

28/11/2016

Gratidão (nascimento - chegada - pertencimento - graça)




Hoje faz quatro anos que nascemos uns para os outros.

Foi parto com dor da espera, sem líquido de placenta, mas foi água-vida tanta que hidratou a secura de todos nós.
Eles não chegaram sozinhos, havia uma história com eles, havia a deles e a nossa, havia os "teus-meus" que precisavam se transformar em nossos e em nós: nós e todos os outros. A filha trazia fragmentos de uma lembrança aqui outra acolá, o jeito foi misturar as vidas: as nossas e as deles, sem desrespeito aquilo que foi vivido até esse encontro, ao contrário de muitos, sempre acreditamos que eles não precisavam se curar de nada e nós tão pouco, era só um novo começo e ninguém precisava se curar de ninguém. Deixávamos ela falar sobre tudo o que tinha vivido até ali, o que nos preocupava era o silêncio, pois a mudez guarda sótãos inteiros, ela tinha só três anos e meio e já  tinha vivido tantas tristezas, parecia ignorar todas elas e com sua voz de menina-bebe disse ao juiz: "a partir de agora é pai novo, mãe nova, vida nova" e disse isso feliz, nós sabíamos que apesar da sua fala a vida de todos que ela havia convivido até ali corriam dentro dela, desordenadamente, mas corriam. Ele tinha apenas oito meses e suas pequenas-grandes vivências foram de dor, mas ele soube ser tão resiliente e tão feliz, ainda é.
Somos tão gratos a chegada-nascimento, foi como se disséssemos sim para a vida e déssemos permissão para ela continuar nesse fluxo lindo que é o fluxo do amor. Um amor de verdade, do fundo da alma e do peito, um amor livre que se permite errar e ser perdoado, porque mesmo o amor ignora uma imensidão de coisas. 

Ser grato ao amor e alargá-lo pelos quatro cantos do mundo todos os dias em pequenas ações, nos fortalece, nos une, não temos pudor nenhum em gritar que somos gratos pelo nosso encontro, que somos melhores depois dele, é coisa escrita, não tem jeito, não costumamos guardar momento de felicidade, ao guardá-lo corremos o risco de estreitá-lo, gostamos todos nós da imensidão, do agigantamento e da força que um sentimento bom pode ter, não somos do tipo que vai vivendo aos poucos, gostamos mesmo é da intensidade de tudo. Vivemos a hora da felicidade com entrega e já fabricando a outra que pode ser ainda mais feliz ou não. Como dizemos por aqui: comemos a vida com gosto e fome e arquivamos as coisas na memória. O nosso nascimento-chegada-pertencimento-graça é até agora o que vivemos de maior, num descuido nos descobrimos mais completos, sentimentos como zelo, afeto, perdão, compaixão, liberdade e respeito têm nos norteado nesse caminho lindo e difícil de ser pai, mãe e filhos, não sabemos um mundo de coisas, muitas delas nem cabem nas nossas vivências.

O amor é parceiro inseparável de todos os dias, é ele que acalma os ânimos do descontentamento, da raiva, da dúvida e do cansaço. Quando tudo dá errado (temos muitos dias assim), recorremos ao amor, ele é remédio que cura, e nem sempre tem gosto doce, o amor as vezes parece bem azedo, mas precisa ser engolido e só lá na frente entenderemos o porquê do azedume, já a cura não se trata de felicidade dia e noite, é felicidade sofrida, conquistada, trabalhada diariamente numa infância livre, numa alimentação saudável, no respeito ao mundo e toda a sua diversidade, na educação libertadora, no contato mais de perto com o que é espiritual, no contato mais de longe com o que é material, no amor pela natureza e todas as suas espécies, no amor pelo outro, é perrengue todos os dias, as vezes não consigo se quer atender um telefonema, muitas vezes fomos dormir as duas da madrugada e acordamos as seis, já fiquei horas segurando os olhos abertos só porque a filha me contava uma coisa julgada por ela de extrema importância, já revezamos a guarda numa noite de febre, já ficamos os dois acordados zelando pela melhora de uma infecção de garganta, já enfrentamos gentes que nos chamam de “caridosos”, deixamos de sair inúmeras vezes para ficar com eles, já escutamos tanta bobagem em nome do “só quero ajudar”, já tivemos que explicar uma, duas, três, dez vezes que eles são nossos filhos e que chegar também é nascer,   já choramos incontáveis vezes nesses quatro anos, choramos de doçura e de azedume, de alegria e de medo.   

Somos basicamente felizes, mas não ignoramos a infelicidade do outro, todos os dias buscamos evoluir em cada coisa dita, feita e vivida, não seguimos alheios ao desamor, ao descontentamento e a desesperança do mundo, porém em alguns casos construímos muros mais altos, criamos rios e margens, evitamos os cantos muito escuros, mas se for preciso enfrentamos e mostramos aos filhos que eles existem. Descobrimos nesse processo de educar que para mantermos mais saudáveis nossas emoções, precisamos de um certo distanciamento de algumas coisas, pelo menos até eles terem certeza em qual lugar no mundo eles querem estar, nós pais por ora queremos estar ao lado deles, viver cada dia sem correr para o dia seguinte, sem pressa que lhes chegue a adultez, cada instante com eles é grande tanto, é tão bom e tão desafiador, cada vez que abraço meus filhos sinto o amor latejando entre nós, imaginem isso vivido intensamente durante quatro anos, é gratidão. 

Acredito que sempre precisamos de um outro para irmos além de nós mesmos, foi isso que nossos filhos fizeram: nós levaram além.

Somos imensamente gratos por tudo o que temos vivido, a mansidão e as turbulências, as certezas e as dúvidas... um sentimento completando o outro.

Nossa gratidão é um recado de amor escrito a quatro mãos (e outras tantas) para Deus, para o universo, para a vida passada e futura.






11/10/2016

Produtos Caseiros e Naturais Para a Limpeza da Casa



Desde que comecei a fazer nossos próprios produtos de limpeza, nunca mais comprei produtos com essas características nos mercados, além de ter amado fazê-los, além deles não agredirem o meio ambiente e nem a nós, eles são maravilhosos, mas fazer seus próprios produtos não pode ser algo complicado, a indústria quer que pareça difícil, claro, assim eles vendem seus produtos com mil e um ingredientes que a gente nem sabe o que são e o quanto nos agridem quimicamente. Uma vez li uma pesquisa em que revelava que sabão para lavar roupa era o produto mais vendido no mundo e também um dos mais prejudiciais para nossos rios, lagos e o planeta, no mesmo texto falava-se sobre os amaciantes, esse então é o mais tóxico de todos e o levamos para casa como algo normal, usamos em nossas roupas e achamos maravilhoso seu perfume... aprendi a não fazer mais isso e posso confessar: tem valido muito a pena!





O sabão em pó que faço é muito simples, já experimentei algumas versões, mas está foi minha eleita.
Faço em grande proporção pois aqui temos montanhas de roupas para lavar (risos).

Sabão em Pó Para Roupas

Ingredientes:
uma parte de barrilha leve (usada para limpar piscinas, encontra-se nos grandes mercados ou em lojas especializadas, por aqui compro numa loja que vende produtos específicos para quem produz, custa bem mais barato do que no mercado)
uma parte de bicarbonato de sódio (pode-se usar o bórax)
uma parte de sabão de coco de boa qualidade ralado no ralo fino (as vezes uso sabão castela, que eu mesma faço)
gotas de óleo essencial de sua preferência (lavanda, alecrim, eucalipto...)

Como fazer:
Ralar o sabão, essa é a parte mais "difícil", depois misturar todos os ingrediente e pronto.
Armazene num recipiente fechado e use-o!





Uma dica bacana: todo o material que use para fazer nossos produtos estão identificados e os uso somente para esse fim, também uso luvas e máscara para fazer o sabão (pó e barra).





Esse é o sabão em pó pronto, ele limpa de verdade, não agride o planeta e seu custo fica menor do que o que compramos industrializado.





O amaciante que faço e uso é muito fácil, muito bom, amacia as roupas de verdade sem carregá-las com química.
Os ingredientes são três: vinagre branco, água e óleo essencial.
Misture 50 gotas de seu óleo preferido em 400ml de vinagre branco e 100ml de água, armazene e pronto. Sinceramente, eu amo esse amaciante e seu valor fica bem abaixo do comercial.





Falando em vinagre, esse é um santo produto, uso muito em muitas circunstâncias.
Para limpar telas de TV, computadores, celulares nada melhor do que a mistura de vinagre branco com água.

Nunca na vida usei detergente para lavar a louça, sempre lavei com sabão em barra neutro, mas desde que aprendi essa receita tenho feito por aqui é um "detergente" natural e ecológico.

Ingredientes:
2 litros de água fervente
uma barra (200g) de sabão de coco ou neutro de boa qualidade (ralada fina)
50ml de álcool de cereais ou vinagre branco
2 colheres de sopa bem cheias de bicarbonato de sódio
(não coloco óleo essencial, mas pode-se colocar)

Como de fazer:
ferva os dois litros de água, desligue o fogo e coloque o sabão ralado, quando tudo dissolver acrescente os demais ingredientes, deixe esfriar e armazene.

Observações: 
algumas vezes aconteceu dele empedrar com o tempo, então tive que ferver tudo novamente, não sei exatamente porque isso aconteceu, mas pode sim ocorrer essa situação.
ele rende muito mais se você lavar a louça sem a água correndo, ou seja: primeiro ensaboar a louça úmida e depois enxaguar.





Por hoje é isso gente, tenho mais algumas receitas para dividir com vocês, mas deixo para um próximo post: sabão para a máquina de lavar louça, cera para madeira e o maravilhoso e inigualável sabão castela. Assim que der eu posto.



Um abraço demorado, obrigada pelo carinho e respeito, muito bom tê-los aqui, 
voltem sempre que quiserem, essa casa está sempre aberta.



28/08/2016

Escolhas



Querer cultivar galinhas no quintal de casa, fazer seus próprios brinquedos, seu alimento, fazer festa de aniversário infantil com bolo integral, frutas, sem refrigerantes e sem balas, bandeirinhas pelo quintal, com gente de pés descalços, sem presente algum, trazendo nas mãos apenas a vontade de estar junto. Nenhuma menina vestida de mini adulta ou de "princesa da Disney", nenhum menino com a roupa do homem de ferro ou armas de brinquedo, as fantasias todas feitas a mão e por eles mesmos. O parabéns pra você cantado em uma dança circular com o aniversariante e sua família ao centro da roda recebendo todo o afeto direcionado a eles, os adultos sem preocupações de que as crianças se machucassem nos brinquedos modernos (eles não existiriam nessa festa), a brincadeira construída: corrida do saco, bolha de sabão, caça ao tesouro, esconde esconde, amarelinha, pega pega, pintura, modelagem, cantos e danças. Sem lembrancinhas com balas, doces e brinquedos, a lembrança poderia ser algo construído pelo aniversariante, ou: nada, a não ser um abraço caloroso e a memória afetiva daquele momento. Nenhuma monitora responsável pela maquiagem ou pintura nas unhas das meninas, as meninas com roupas confortáveis e de criança para subirem nas árvores ou correr, correr e correr.




Acredito num mundo onde as crianças pareçam crianças, se sujem, brinquem, corram, pulem, subam em árvores, se machuquem, consigam passar uma tarde brincando juntas sem celulares e sem brinquedos eletrônicos, crianças capazes de suportarem as frustrações sem ganhar nada em troca por conta disso, acredito numa escola que não ofereça recompensas (pirulitos, balas, brindes) só por que a criança fez o deveria ter feito, creio num mundo onde os pais tratam as crianças como crianças sem se preocuparem precocemente com o vestibular que seus filhos farão, "ninguém nasce pra fazer vestibular, a gente nasce pra ser feliz" (filme Tarja Branca), claro que quero que meus filhos e todas as crianças do mundo cheguem a universidade, o conhecimento adquirido é importante e transformador. Acredito numa educação e numa pedagogia holística em um dos mais amplos sentidos que se pode dar a essa palavra. Desenvolver desde criança os pontos de vista:  físico, anímico e espiritual, de forma progressiva e afetiva, cultivando o AGIR, o SENTIR e o  PENSAR, explorando o sensorial, o emocional e o pensamento concreto, para mais tarde explorar com facilidade o abstrato. Viver e sentir para depois pensar sobre o que se viveu e sentiu.




Conversando com a mãe de uma colega da minha filha ela me disse: "vocês ainda não foram para a Disney com essas crianças menina, tão esperando o quê?? daqui a pouco é tarde, eles vão perder o encanto pelas princesas, pelos personagens, vai ficar tudo mais chato, por favor, providencia isso, principalmente para a Raquel, ela é uma menina, vai enlouquecer com o castelo, tu vai ver como ela vai ser mais feliz..." Eu educadamente (as vezes queria ser menos) lhe respondi que tinha entendido sua opinião se ela não tivesse acrescentado que minha filha "seria mais feliz" se fosse para a Disney, lhe disse também que eu nunca tinha ido para a Disney e que meus pais mal sabiam que já existia o Mickey e toda a sua trupe, que eu nunca tive nenhuma das princesas e que nunca fui infeliz por isso, na verdade, do que eu gostava, quando criança, era de brincar de fazer comidinha de barro e mato com a minha irmã e de descer de carrinho de lomba com meus irmãos num morro que tinha perto da nossa casa. Ela ficou meio desconcertada, mas insistiu: "eram outros tempos Rosane, pelo amor de Deus, que criança ainda faz comidinha de barro?" Eu: as minhas!! Ela deu um sorriso amarelo e completou: "desisto de ti!" 
Fiquei pensando se eu seria uma pessoa de se desistir, o que estaria atrás dessas palavras? 
Claro que meus filhos não vivem apenas no meio do mato, nem tão pouco só brincam com barro e folhas, eles têm acesso a tecnologia sim, vamos em shopping (muito pouco), comemos bobagens (as vezes), eles conhecem os personagens da Disney (de passagem) e nem gostam muito deles, assistem TV (mais músicas do que filmes e desenhos), mas ainda não foram para a Disney, talvez irão, não sei, preferiria fazer uma safári na África ou explorar a Patagônia. Acontece que cada pai, mãe, vó, tia ou qualquer outro membro da família educa e pensa de um jeito, somos todos pensantes diferentes e não seria capaz de dizer a ninguém: "eu desisto de você".
Acho que ninguém, ou quase ninguém, tem a intenção de educar uma criança para a infelicidade, o que ocorre é que temos conceitos diferentes da FELICIDADE.






Oferecer aos filhos um punhado de galhos de árvores para que eles construam um material de contagem e de cores frente a tantas ofertas desse material no mercado, modelos lindos, incríveis, duradouros e coloridos parece coisa de "pais bicho grilos" e para os olhos de algumas pessoas seus filhos não evoluirão nesse mundo competitivo e rápido que é o nosso. Mas de verdade AGORA eu não penso muito em concorrências ou progresso, penso mesmo que é hora de aprender brincando, construindo e criando, e se puder fazer tudo isso sem prejudicar a vida na terra e suas espécies, muito melhor. Os elementos naturais trazem um lado sensorial maravilhoso para quem lida com eles, têm cheiro, textura, formas diferentes e são lindos, temos muito pelo nosso quintal e pomar, eu seria uma tola se não os explorasse. Fazemos nossa própria massa de modelar, com mais textura e mais cheirinho, só para exercitarmos os sentidos do corpo e da alma, construímos nossas fantasias e chapéus, alguns brinquedos e bolas, fizemos nosso próprio sabão para as bolinhas de espuma e não fazemos isso para "poupar dinheiro", se bem que isso também é importante e pensado, mas não é nosso primeiro impulso, o que esperamos com isso é que nossos filhos valorizem mais o fazer junto, o afeto e respeito que isso envolve. 






A brincadeira preferida por aqui é se sujar nas poças de lama que se formam pelo pomar depois de um dia de chuva, o prato preferido não é o do fast food famoso, o lugar preferido é lá fora no meio das árvores e do lado da cachorrada se rolando no chão e dando beijo em todos, a viagem sonhada não é pra Disney, as vezes a viagem mais desejada é ir na casa da vó, essa sim tem um valor enorme e é capaz de nos deixar mais felizes, somos assim, em especial: eu sou assim, mas não julgo como errado o jeito que cada um escolhe para educar os seus, apenas acredito no que nós escolhemos, na verdade sem nenhuma certeza absoluta e imutável de que seja o melhor, por ora é esse o caminho que queremos caminhar, errando, acertando, experimentando e colocando REPARO NA VIDA, na nossa e na dos outros, todos os outros: humanos, animais, vegetais, enfim todas as espécies. Tentamos educar nossos filhos para um mundo de amor e de respeito, porque acreditamos no amor e no respeito.
 


 







E muito diferente o que você sente do que a sociedade acha que você tem que sentir, o importante é olhar para dentro de si, sem tanta culpa, sem tantas amarras e apegos a aquilo que nem acreditamos.


Grata pelo carinho, respeito e por vocês estarem aqui.


09/08/2016

Vida Que Segue


Desapareci daqui e de outros tantos lugares... na verdade eu estava me reencontrando, aprendendo que sou limitada, como qualquer outro mortal. Perceber, mesmo na marra, que chegamos no nosso limite, nos salva. Saber-se limitada requer consciência, saber que é hora da "poda" para continuar viçosa e forte feito planta é passo importante pra se manter vivo. Eu me via crescendo frondosa pessoa: mãe, mulher, esposa, filha, irmã, tia, amiga, cuidadora de bicho, do lar, estudiosa, ilustradora, fotógrafa, artista, carpinteira, pedreira, escritora, ilustradora, psicóloga, deus, buda, alá... e lá, lá, lá, eu achava que dava conta de ser "tudo" e mais um resto de coisas e gentes, empurrando minhas necessidades físicas para um cantinho, daqueles que a gente visita só de ano em ano, só pra fazer a faxina no sótão. De repente, me vi rendida...o meu corpo me parou, ele havia me dito: "Estas dores que você sente são mensageiros. Ouça-os. Fechei minha boca e falei com você em uma centena de maneiras silenciosas." (Rumi) , mas você fingia-se surda.




Há uns cinco meses tenho sentido dores abdominais e nas costas, eu tomava um chá, um remedinho para a dor... não escutava meu corpo, ou melhor, não "tinha tempo" pra correr atrás disso, marcava e desmarcava minha médica na mesma frequência que as dores iam e vinham. Eis que nos últimos dias as dores se intensificaram, fui ao médico e nos meus exames constava;  imunidade  baixa e um início de anemia, medicada voltei para a rotina, confesso que mais devagar do que o normal, mas lá fui eu correr atrás das minhas coisas e das dos outros. Na semana que passou fiz novos exames e tomografias de urgência, as dores eram agora por todo o corpo, um mal estar geral... eu estava com uma infecção urinária bem séria (bexiga com sangue e secreção), além de uma gastrite que impedia de eu me alimentar e com os níveis dos minerais que nos deixam em pé quase zerados, por conta de tudo isso fui hospitalizada durante quatro dias, novos exames, muitos medicamentos, antibióticos na veia, 5 horas de potássio ,via veia também, por dia e soros para me reerguer.
Uma angústia tomava conta de mim durante o tempo que me vi internada num hospital, tantos pensamentos passavam pela minha cabeça enquanto sentia meu corpo doente... eu era uma ausência de mim mesmo, uma apatia estranha e desconhecida, era meu corpo pedindo ajuda para minha alma, ou o contrário, impossível ensurdecer diante de um pedido desses... era uma saudade de casa misturada com uma saudade de mim... forte que sou, sei que sou, acho que sou; felizmente me mantive numa vibração de amor, desses amores que curam tudo.
Há alguns dias em casa (aleluia mil vezes) me fortaleci, descansei, estou muito bem.  Não via a hora de voltar! Me ver numa cama, prostrada, logo eu que nunca paro, era muito torturador. Eu pensava o tempo todo na minha família, na bicharada, nos amigos, etc, etc e etc, respirava fundo, olhava pra dentro e sentia que o melhor naquele momento era pensar em mim (nada fácil, mas exercitando a gente consegue), eu precisava ficar bem, voltar bem. 
Escrevo tudo isso para compartilhar com vocês o aprendizado que tive com a dor, (a luz entra na gente pelas feridas abertas). NÃO HÁ COMO CUIDAR DOS OUTROS SE A GENTE NÃO SE CUIDAR, se a gente não olhar para o lado de dentro, para as mensagens “silenciosas” que a vida, o corpo e a alma nos mandam, era hora de eu parar um pouco, escutar as minhas necessidades, esqueci de me envolver comigo, ou melhor: só comigo, pois eu estou dentro de tudo o que estava emergida, mas no meu silêncio eu procura a escuta alheia ao invés da minha. Além de tudo o que tenho por fazer e viver eu corria feito doida atrás de doações para algumas pessoas, corria atrás de suprir as carências dos animais da rua, entre outras coisas... e não pretendo parar de fazer tudo isso, mas preciso fazer de forma equilibrada. Sempre ensinei para os meus filhos: “primeiro os outros”, a frase não é essa, o ensinamento não é esse. O aprendizado tem que ser: olhar atento para os outros e suas carências, mas sem fechar os olhos para nossas próprias necessidades e desejos! Eu não quero mais tempo ou que meu dia tenha trinta horas, eu só preciso respirar profundamente, encher meu peito de ar, administrar melhor minhas escolhas e respeitar meu cansaço, a responsabilidade do que faço com os meus dias é totalmente minha e não pretendo deixar de fazer nada do que amo fazer, eu sou assim: inquieta e curiosa, não são as "obrigações" e tarefas que me tornaram assim, sempre fui, quando não havia muito o que fazer, eu inventava, ainda invento. Falo sempre com Deus e por vezes eu e ele discutimos intimamente sobre esse meu jeito de ser, já cheguei pedir a ele que me acalmasse, ele disse (no ouvido da minha alma) que eu morreria. Vivo intensamente tudo o que me proponho a fazer, me entrego e sei que não conseguiria ser diferente, o que eu estava desconsiderando era que preciso de um tempo só pra mim, pra dar uma caminhada sozinha, voltar a meditar, fazer exercícios, dançar,  sair,  tempo pra eu me cuidar sem ficar pensando em todo o resto.








O processo de me enxergar, de me respeitar, de me permitir limitada, de me reconhecer fraca, de me entregar ao cansaço, de escutar o canto do meu peito e as batidas do meu coração e de me observar foi e é fundamental, a partir dele tenho desenhado mudanças corajosas e difíceis pra mim, aos poucos vou reconstruindo meu jeito de fazer as coisas, nunca poderia deixar de fazê-las, pois quando faço o que amo é como se um rio claro e puro corresse dentro de mim, me hidratando e regando minhas securas, o que preciso é aprender a canalizar melhor essas águas.
Quase morri de saudades dos filhos, nunca havia ficado longe deles tanto tempo e numa situação tão dolorida, quando os revi tive a certeza de que ficando perto, cuidando e sendo cuidada por quem amo tem um efeito banho de água límpida e AMOROSA sobre minha alma, como esse que ilustra essa postagem.




Estamos todos bem e mais fortalecidos, quero agradecer a minha família e a duas amigas-irmãs; Gabi e Simone que me ajudaram a passar por esse caminho, sei que o que passei é peso leve perto do que muitas pessoas passam em relação a falta de saúde, dores ou doença, dificilmente alguma coisa tira meu desejo de viver e de ser cada vez mais feliz, com infelicidades no meio, então gente querida: É VIDA QUE SEGUE.

 Grata total pelo carinho e respeito.
  
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